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DAS PÁGINAS DO RCKNRLL:
ALê BRIGANTI CRUZ


No começo nós éramos poucas meninas na cena. Você podia contar nos dedos. Depois a coisa foi aumentando um pouco. Aí, em 1995, li uma entrevista com o Bikini Kill na melodymaker. Elas tinham lançado uma demo pela Dischord, do Ian Mackaye. Comecei a ouvir aquilo, ao mesmo tempo apareceu essa cena das riot grrrls. Fiquei completamente alucinada com aquilo. Alucinada. Pensei “aquilo é pra mim, essa sou eu. Essa sou eu”. E, assim como eu, havia outras meninas, como a Eliane que tocava no PIN UPS comigo. E aí a coisa foi indo, fui ficando cada vez mais feminista, extremamente feminista. As meninas vinham falar comigo nos shows. Tinha essa vibe de empoderamento feminino. Fiz um zine chamado ‘Cantinho das Felinas’, um zine super feminino. Era um folhetin feminino punk rock. E eu estava começando a cantar no PIN UPS. Eu queria agregar, chamava pra tocar, fazia fanzine, dava espaço, já tinha o THE BIGGS em Sorocaba, a gente tocava bastante. A gente formava bastante, as meninas eram bastante amigas. Eu era muito sozinha antes disso, era eu e dúzias de homens. E de repente começou a ter um monte de meninas tocando, fazendo zines, na onda das riot grrrls. Viramos uma gangue de meninas.




Eles andam por aí provocando alterações no ambiente com suas ondas de choque:

DOWNLOAD:







Olhe para o mundo através de um prisma

 
BANDAS
PIN UPS
THEE BUTCHERS ORCHESTRA
DIVINE
FORGOTTEN BOYS
BIÔNICA
FIREFRIEND
LÊ ALMEIDA
GIALLOS
PROCURANDO CONFUSÃO
AUMENTE O VOLUME
27.03.2016




Ok, a história do underground brasileiro acabou de ganhar um novo tijolo.
por Yury



Ao longo de 600 páginas, você vai se aventurar com alguns dos tipos mais interessantes que conheço



PROCURANDO CONFUSÃO
ENTREVISTA PARA O BLOG VOX, PARANÁ
26.03.2016

Dei uma entrevista para o Filipe Albuquerque, do paranaense Blog Vox, veja um trecho:


Fala sobre a ideia do Rcknrll; que critérios você usou pra selecionar as bandas que estão no livro?

Yury Hermuche - Este é o meu quarto livro. Eu estava procurando um recorte que aprofundasse os temas do meu último livro, Anti-heróis & Aspirinas, porque sinto que ainda há muito o que explorar nessa direção. O mundo anda surreal demais e a forma como as pessoas vivem é inacreditável. Gosto de personagens que percebam esses absurdos, que desconfiem  do senso comum, que se entreguem aos seus instintos e que façam coisas diferentes. E os músicos independentes são muito loucos.

Um recorte natural foi lembrar das bandas que conheci no meu caminho pelo RCKNRLL, bandas que me inspiraram, bandas que admiro, bandas que acabei de conhecer e nas quais percebo as mesmas atitudes

E que de certo modo estão esteticamente conectadas, em relação às referências musicais e a abordagem do formato.

Yury Hermuche - Sim, são bandas que eu gosto. Elas têm abordagens estéticas diferentes, mas há várias conexões possíveis entre seus trabalhos.

Foi intencional náo se prender a uma época, só aos anos 90, ou só ao que aconteceu de 2000 pra cá? Porque você juntou bandas como o Pin Ups, o Thee Butchers Orchestra, a Divine, e o Lê Almeida, a Travelling Wave…

Yury Hermuche - Eu vou a shows de bandas independentes há muito tempo, o Pin Ups foi a primeira que realmente me influenciou. Aquela energia, distorção, atitude, coisas que eu só conhecia em discos de bandas estrangeiras clássicas. O poder de uma banda realmente estranha é foda ao vivo, isso é transformador. Desde então vi centenas de shows, e escolhi essas bandas para fazer um panorama — da minha experiência e do que é o rock brasileiro que realmente importa.

E também tem outra coisa, as bandas mais importantes são aquelas que nós podemos ver aqui e agora, são elas que estão mantendo esses espaços onde ainda há algo relevante, visceral e real para ser visto e compartilhado. Você pode ir ao show de uma excelente banda americana aqui, mas vai ser assaltado no ingresso, assaltado na bebida, terá que compartilhar o lugar com milhares de coxinhas, isso não é RCKNRLL.

E o curioso é que a gente vive um momento em que parece que as bandas independentes estão cada vez melhores, com mais condições de ter equipamentos melhores, até tecnicamente algumas parecem superior a outras dos anos 80 e 90, mas há um certo esvaziamento dos shows independentes. Há pouco público. Você consegue entender o que e acontece, já que em cidades como São Paulo há no mínimo uma banda independente por noite tocando? Te pergunto isso porque converso sobre o assunto com bandas independentes novas e outras nem tanto e ninguém consegue chegar a uma conclusão.

Yury Hermuche - Não é um problema com o rcknrll, que está firme e forte. Nas entrevistas para o livro, as bandas que circularam ali na primeira metade dos anos 2000 conheceram uma situação bem interessante, muitas casas e muito público. As bandas do presente trabalham com menos público, mas nem por isso desistem.

Você deve ter tido acesso a histórias absurdas, e eu queria que você contasse algumas, se puder, se não for entregar o conteúdo do livro. Li em um dos materiais que você divulgou, em que explica um pouco o livro, que foram tantas as histórias e entrevistas q em uma delas você recebeu ameaça, é isso?

Yury Hermuche - Sim, foi ótimo.

Como foi isso?

Yury Hermuche – É exatamente o tipo de coisa que eu esperava, porque você não pode ir se metendo assim na vida dessas pessoas sem ter noção do que está fazendo. É exatamente onde os jornalistas pecam. Quando você entrevista um artista, você realmente precisa aprender a ouvir e mergulhar na sua verdade, no seu mundo. Não é só a busca de uma frase de efeito, como os jornalistas costumam fazer. Mas eu fiz entrevistas muito longas, detalhadas, e todos entenderam que era uma coisa bem diferente daquela que eles estavam enjoados.

Entendo o que você quer dizer, embora, fazendo um contraponto, às vezes vejo que há um certo exagero quanto ao uso da definição artista – e isso me refiro a músicos e bandas que se veem como artistas, que tomam a expressão pra si. Claro que aí a gente vai entrar numa discussão sem fim sobre o que é ou q não é arte etc., mas você não acha que às vezes há quem se valorize demais e tome algumas atitudes que não condizem com a produção, com o talento demonstrado?

Yury Hermuche – Isso também pode ser dito de críticos e jornalistas, que muitas vezes não possuem bagagem suficiente para encontrar, nas obras, elementos para realmente discutir seu valor artístico. Note que o objeto depende muito de quem olha, e especialmente no Brasil, onde a crítica publicada de arte é geralmente muito frágil e orientada comercialmente, sustentada por slogans pejorativos ou efusivos, isso é ainda pior. Ainda mais na música, onde efetivamente podemos contar nos dedos aqueles que sabem o que estão fazendo.

Sim, é uma faca de dois gumes. Sobre a ameaça, foi séria?

Yury Hermuche - A ameaça foi séria, mas como eu disse, fiquei contente de ouvi-la, era exatamente o que eu esperava ouvir. o que posso dizer é que a ameaça só aumentou meu interesse por essas pessoas.

Você ainda está realizando entrevistas pro livro, é isso?

Yury Hermuche - Estou fazendo as últimas entrevistas para o livro, transcrevendo e editando o material. O livro será lançado em novembro e estou totalmente imerso no processo.

Imagino que você, quando pensava o livro, o formato, uma linha mestra pra guia-lo etc, talvez já tenha percebido que algumas coisas ficariam de fora. Há alguma coisa que você já tenha cortado que foi doído de cortar? Naquele processo do editor, isso é bem corriqueiro.

Yury Hermuche - Muita coisa vai ficar de fora, mas o veneno terá uma dose mortal, pode ter certeza. Ainda estou coletando depoimentos de pessoas que viram os shows dessas bandas. Quem tiver uma lembrança forte de qualquer experiência, pode me escrever: yury@rcknrll.com.br

Legal. Isso me faz lembrar da primeira vez q vi o pin ups ao vivo no antigo aeroanta, no show de lançamento do Scrabby.

Yury Hermuche - Uau, como foi?

Eu me lembro muito da atmosfera. Era como entrar no Marquee ou no Max Kansas, na minha cabeça de moleque, claro. Eu tinha 16 pra 17 anos.

Yury Hermuche - É isso que é importante, a forma como as bandas independentes impactam. É incrível como essas coisas acontecem. É incrível visitar o Escritório da Transfusão, no centro do Rio, e ver o Lê Almeida montar uma cena no meio daquilo. O Travelling Wave em Piracicaba. O que a Divine fez em Brasília nos anos 90 foi muito importante. Quando você é novo e sabe que é diferente e parece que está sozinho no mundo, uma banda dessas é um polo magnético.

Você esteve com gente de uma geração que deu início ao que a gente aprendeu a ver como um circuito independente formatado, com senso estético definidos etc, como o Pin Ups e o Divine, o Butchers, mas também esteve com o Lê Almeida. Em que ponto você acha q eles se distanciam e em quais se encontram?

Yury Hermuche – Atraindo todo tipo de outsider para perto. Eles são profundamente parecidos, estão fazendo o que querem, a despeito do sucesso comercial, da imprensa, do dinheiro, etc. Isso é muito RCKNRLL. Há alguns relatos de que são considerados realmente loucos por amigos e parentes, desajustados, perdidos, etc.

É interessante essa identificação entre as gerações. E embora seja sabido que as motivações são as mesmas – com uma geração influenciando a outra – é visível também que viveram realidades diferentes. Em 1992 eram os zines e as demos; em 2010, já era possível gravar em casa e disparar mp3 pro mundo, estabelecer uma estratégia de divulgação online etc. Quanto a essas diferenças de contexto histórico, você acha q elas moldaram e moldam a visão que elas têm do que é ser independente, fazer rock num país como o nosso?

Yury Hermuche – Sim, o horizonte agora é muito mais amplo. As pessoas agora sabem podem andar em qualquer parte do mundo com gente diferente, não estão irremediavelmente isolados em seus bairros caretas como antes. Há mais possibilidades de conexão. O livro mostra isso, como acontecia nos anos 80, 90, 2000, e agora. A escola e as festas que o Luiz Gustavo [vocalista da primeira formação do Pin Ups] frequentava nos anos 80, o clubes que os paulistanos frequentavam nos anos 90, os chats e fotologs dos anos 2000, o Facebook e todo o resto agora.

A internet ampliou os horizontes, o alcance, as possibilidades de contato, de troca. A tecnologia de gravação viabilizou maior produção, ficou mais fácil ouvir música, conhecer coisas que estão rolando AQUI e AGORA, e tem muito mais gente produzindo!

E isso não gera uma espécie de overdose de música? Não que seja ruim, ao contrário.  Talvez seja uma questão geracional, mas eu não consigo acompanhar nem 1/10 do que eu gostaria. Imagino que muita gente passe por isso, o que deve fazer com que muita coisa boa se perca do público, ou dos diversos públicos, e passe a margem inclusive do público q ela deveria atingir. Você que acompanha isso de perto, vê algo nesse sentido acontecendo?

Yury Hermuche – Parece ser uma tendência em todas as áreas, superoferta de produtos culturais, overdose de mp3, de vídeos, de livros, pouco tempo para filtrar, analisar, investigar tanto. Acho que é algo com que todos nós ainda estamos aprendendo a lidar, em todas as áreas. Acho que uma coisa interessante disso, a superoferta, é o tipo de relação que estabelecemos com o que nós vemos e por isso a experiência de ver um show ainda é tão legal.

Converso com gente de selos independentes e com alguns colegas que militaram na imprensa cultural/musical nos anos 80 e 90 e uma coisa que a gente observa hoje é o tal fim dos “filtros”. Se antes a revista Bizz, a MTV, cadernos culturais e as rádios faziam esse papel, hoje a coisa tá na mão do ouvinte, que vai direto ao artista ou vai em um mar de blogs atrás de informação. Me parece que isso mudou também a relação do ouvinte com a música e até mesmo das bandas com o modo de divulgar o trabalho, de chegar ao público. Você percebe isso nesse contato mais próximo com as bandas independentes?

Yury Hermuche – O que eu sinto e observo é que é infinitamente mais importante você estar viajando e tocando com frequência do que sair em uma nota em uma revista ou um site. O show é o contato sem filtros, e a banda passa de boca em boca por círculos de amigos. Com os Giallos é muito isso, eles são incríveis.

Entendo perfeitamente, mas não são coisas que andam juntas? Porque eu me lembro do impacto que era ler uma matéria sobre o Pin Ups, ou o Killing Chainsaw, o a Low Dream, ou o Second Come na Bizz, por exemplo, e o quanto isso fazia a gente quere ter essa banda por perto, vê-los ao vivo etc.

Yury Hermuche - A Bizz saía uma vez por mês, não tinha quase mais nada além dela. Hoje se você fica na web pode ler 500 revistas iguais por dia, mal escritas, copiando mutuamente leads e comentários. Então eles [veículos de comunicação] também foram muito afetados pela tecnologia e perdem cada vez mais importância.

Longe de achar q aquela época era melhor que a atual, só to tentando pontuar as diferenças e de que maneira elas alteram a nossa relação com a música, com artistas.

Yury Hermuche - É um ótimo exercício. O que eu vejo são bandas cada vez mais sólidas querendo viajar e fazer bons shows, com ótimas ideias, querendo estabelecer uma relação com seu público, procurando seu público. O Marco Butcher me disse uma coisa muito legal: um show é uma partida de tênis, banda e público estão trocando energia todo o tempo. É isso que importa.

No fundo, o que vale mesmo é o lance de estar de frente pra banda/banda de frente pro público. Entendo que nada substitui isso.

Yury Hermuche – Acho que a sede por experiências viscerais só aumenta com tanta internet e caretice. Uma coisa que é muito importante para o livro é conhecer as pessoas que montaram as bandas. Aliás, o livro é mais sobre as pessoas do que propriamente sobre as bandas.

Que é o que importa de verdade, não? E que no fundo é por isso que se monta uma banda, se propõe a produzir algo…

Yury Hermuche - A personalidade de uma banda é resultado direto desse choque entre as diferentes pessoas. E isso é muito promissor

Percebo que você trabalha com essa ideia de romper padrões, e foi buscar bandas que, como você mesmo disse, vão além do que se espera delas, estão dispostos a “arrumar confusão” pelo que acreditam etc. O que você entende como caretice, que dá uma detonada em questões culturais e mais especificamente na produção musical?

Yury Hermuche - No livro, em diversos momentos, olhamos para a sociedade e percebemos como a escola, os escritórios, os empregos, as religiões, as rádios, os jornais e o senso comum estreitam cada vez mais as oportunidades de experiência das pessoas. Algumas não percebem, se adaptam facilmente, outras sentem isso como um peso muito grande. São aquelas que não estão contentes com o que está aí, que percebem que estão fora do lugar, que precisam se mexer para fazer as coisas acontecerem. Elas têm impulsos diferentes, uma motivação que as leva a viajarem milhares de quilômetros para tocarem para três ou quatro pessoas em um buraco qualquer em outro estado ou país, sem saber se vão ganhar o dinheiro para a gasolina do retorno.

Não é o sucesso financeiro, objetivo uniforme do mundo contemporâneo, mas sim um outro tipo de experiência. Eles não estão fazendo trilhas sonoras de comerciais do pão de açúcar, eles estão fazendo música estranha, diferente, provocadora. Esse é o tipo de gente que me interessa. E o livro é sobre elas. Agora, todo mundo precisa de dinheiro, então há muito conflito e contradições. O tema é muito rico.
 

por Yury



GIRL GANG
O DOM DE IGNORAR
08.03.2016




E aí que estão fazendo um documentário sobre a ~verdadeira história~ do rock dos anos 90, focando no underground. Bandas que tocavam em inglês, todo o lance guitar, anticomercial que jamais tocariam nas rádios e aquela coisa toda.

É um projeto colaborativo então tem o trailer teaser dando o gostinho da coisa, em que músicos, jornalistas, produtores, e todos que estavam lá dão pistas de como as coisas eram incríveis e o doc será maravilhoso.

Porém, que eu bem me lembre, foi nos anos 90 também que rolou o boom das riot girls e bandas de garotas em geral na cena alternativa.

Longe de mim arranjar treta, tenho vários amigos e conhecidos envolvidos nisso tudo e o documentário parece ser ótimo, inclusive. Mas não ouvir UMA só voz feminina, não encontrar uma jornalista listada, e passar os olhos por nomes masculinos seguidos de nomes masculinos como se nós simplesmente não existíssemos, gera um misto de sentimentos que não consigo nem descrever.

Primeiro pensei que fosse raiva. Depois achei que fosse ódio: como é possível depois de tantos malditos anos, músicas, textos, revoluções, caralhas de discussões a gente se encontrar numa situação tão ultrajante? Chega do eufemismo fofo "clube do bolinha". Isso é um desrespeito imenso e deve ser tratado como tal.

Foi então que me dei conta depois desse questionamento que meu sentimento era de frustração. De que aparentemente todo esse investimento de energia não adiantou de porra nenhuma. Pessoas TÃO MODERNAS, TÃO ALTERNATIVAS, TÃO `A MARGEM DA SOCIEDADE cometendo os mesmos malditos erros que o establishment que eles mesmos tanto rejeitam.

Até mesmo aqui no incrível e mais que necessário livro RCKNRLL que, apesar de meter o Biônica como uma de suas bandas protagonistas e dar voz, espaço e reconhecimento para as garotas, no final das contas, também possui poucas de mulheres entrevistadas.

E o resultado final disso tudo são bandas e artistas incríveis ficando no anonimato pelo simples fato de serem: mulheres. Aliás, não só bandas. Temos o caso clássico da jornalista rainha de NY Lillian Roxon, primeira PESSOA a escrever uma enciclopédia sobre o rock em 1969 com mais de 600 páginas abrangendo 22 mil músicas de 1.200 artistas, incluindo cada top single da Billboard entre os anos de 1949 e 1969.

Conhecida como Mother of Rock, a jornalista que faleceu em 1973, só foi ganhar uma biografia em 2002, um filme em 2010, e sua enciclopédia deixou de ser impressa há décadas.

Mas voltando ao documentário sobre ~a verdadeira história dos anos 90~. Na parte dos comentários do teaser ainda perguntam: "não tem nenhuma mina nessa história?", o que é prontamente respondido citando 5 garotas dentre 60 entrevistas, e a pena do teaser de 2:11 min ser tão curto etc. Por fim, a pessoa agradece o feedback e sugere como seria legal pedir a opinião de jornalistas mulheres também.

E eu aqui olhando pra janela sugerindo pra mim mesma respirar fundo e pensar muito bem antes de escrever o próximo parágrafo.

Enfim, tudo isso pra dizer que o Yury é louco e me chamou pra escrever aqui no RCKNRLL. E vai ser sobre mulheres. Daqui. Não de SP, não da minha turma, não das que eu conheço, não das que eu goste. Mas sim das que estão no corre e estão fazendo a diferença. E, claro, as que fizeram história.


por Debbie Hell



PROCURANDO CONFUSÃO
GIRL GANG
08.03.2016

Debbie Hell é a nova colunista do site. Como você já deve saber, ela também inventa um monte de situações absurdas para se aventurar pelo RCKNRLL em São Paulo: tem uma festa mensal com bandas ao vivo, programa de rádio, colunas em revistas, seu próprio site, está escrevendo um livro e agora também esta nova coluna: GIRL GANG.

por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
O QUE IMPORTA NÃO É O LUGAR, O QUE IMPORTA SÃO AS PESSOAS
17.02.2016




A gente tinha uma coisa meio anti-rock, estávamos meio traumatizados, achávamos que o rock estava careta demais. Então a gente não tocava em clube de rock, a gente só tocava em lugar de gay ou boteco, botequim… torresmo e ovo azul, sabe? Mais trash. Era o circuito que a gente fazia. Tocar em clube de rock, tô fora. Queríamos mostrar para as pessoas que não precisava estar num lugar cool para ter uma festa legal. O que importa não é o lugar, o que importa são as pessoas. A vibe que você leva para o lugar.

— Marco Butcher

O primeiro show que o THEE BUTCHERS' ORCHESTRA fez foi em um boteco bem trash dos Jardins, chamado Bar do Barba. Eles arrastaram a mesa de sinuca para o canto, não tinha palco, montaram o som no chão, não pagava nada para entrar, mas o dono nunca tinha vendido tanto álcool na vida dele quanto vendeu naquela noite. Conheça a história de uma das bandas mais clássicas do Brasil.



por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
SOROCABA 13 fev
10.02.2016




Neste sábado em Sorocaba, uma nova festa RCKNRLL com as bandas JUSTINE NEVER KNEW THE RULES e FIREFRIEND para o lançamento do livro no Mofo de Ouro!

por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
CURITIBA, 06 FEV
31.01.2016




Lançamento do RCKNRLL em Curitiba no 92 graus, com shows do Firefriend, Sonora Coisa, John Candy e La Vantage

por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
UNDERGROUND BRASILEIRO, VOL1
29.01.2016




Olha a trilha sonora para você se perder por aí, dezoito faixas das nove bandas do livro, gravadas desde meados dos anos 90 até hoje.


por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
VICIADOS EM RCKNRLL
24.01.2016




Dei esta entrevista para o Pedro Brandt, de Brasília, e ele publicou na revista Roteiro na semana passada:

Ter uma banda underground não é fácil. Diria que o amor incondicional pela música é o que liga todos os participantes do livro?

Música é demais, não é? Todo mundo acha. Ela cola as pessoas. Mas existem outras coisas mais intensas: o tesão pela experiência, por exemplo. Essa vontade de fazer algo na vida. A perspectiva muito crítica, que percebe alguma coisa muito errada no mundo. E o encontro, nesses espaços de troca temporários, fora do consumo, esses espaços de sociabilidade pura. É o underground, desafiando a falta de sal do horário nobre.

Além do Firefriend, o livro apresenta outras oito bandas. Qual foi o seu critério para escolher as bandas presentes no livro? Pergunto isso especialmente pelo fato de você não ter colocado no livro apenas bandas mais conhecidas do underground (caso de Pin Ups, Butchers ou Forgotten), mas também nomes “menores”, como Traveling Wave e Giallos. Enfim, comente a seleção, por favor.

O underground é um espaço genial porque todos têm voz. E quando você presta atenção no que dizem por aí, percebe algumas pessoas vendo o mundo de forma bem diferente. É muito mais estimulante. É interessante, é desafiador. Isso transparece no que essas pessoas fazem. Quem são eles? O que dizem? São bandas que eu conheci em shows nos últimos 25 anos. E que me abriram os olhos. É por isso que elas estão no livro.

Na sua percepção, qual o principal legado do rock underground brasileiro? (* pergunto, claro, sobre esse underground apresentado no livro)

O underground Brasileiro mantém vivo um mundo muito interessante, diverso e excitante — onde há muita música, muito encontro, muita energia e muitas ideias. Não é pasteurizado, não é de plástico, não é caro, mas é muito exclusivo, bem foda e felizmente bem alto.

Como foram feitas as entrevistas? Todas foram gravadas pessoalmente e depois “degravadas”? Ou teve coisa por e-mail? Percebi que a ideia do livro foi deixar os depoimentos o mais natural possível, como se estivessem sendo ditos pelos entrevistados...

Eu amo a maneira como as pessoas falam, as palavras que elas escolhem, a forma como o raciocínio de cada um se articula. É um material muito rico, muito informativo. Como as pessoas pensam? Como elas percebem o mundo? Se você estiver atento, cada palavra é bastante reveladora. Eu quero registrar isso. É por este motivo que gravei o áudio de todas as entrevistas. Foram 220 horas. O livro é um documento.

De quais depoimentos você mais gosta no livro? Por que?

Eu gosto muito dos questionamentos. O mundo está à beira de uma nova guerra mundial, no meio de uma revolução tecnológica que está mudando tudo, e aí você liga a televisão, abre o jornal e a revista… e estão passando… aquilo. Comercial. Gente sorrindo e comprando. Está tudo errado, não está? Eu acho isso meio absurdo, uma ofensa até, mas também é hilário. Vários depoimentos no livro falam sobre coisas assim. Sobre racismo, machismo, feminismo, sexo, drogas, humilhação, dor, perda, vício, descoberta, prazer, gozo, tesão.

Você já era amigo ou conhecido de todos os personagens do livro? Quem, entre eles, você diria que são seus heróis (e por que)?

Não são heróis, são pessoas como eu ou você, fazendo o que acreditam que precisa ser feito. Uma parte deles conheci em shows e bares, outros eu me apresentei e expliquei o que planejava fazer.  Eu respeito muito cada um deles, são pessoas com ideias. Boas ideias.

Qual foi o personagem mais difícil de encontrar? Você diria que conseguiu todas as histórias que queria das bandas? Teve algum depoimento que, depois da entrevista, a pessoa te pediu para não publicar? Caso sim, você publicou ou deixou de fora do livro?

Eu ouvi muito mais histórias do que estava preparado para ouvir. Mas meu interesse maior não eram as histórias, mas a forma como as pessoam entendem o que fazem, como explicam. Esta é a inteligência a ser compartilhada. Há uma ideia romântica sobre o roqueiro, mas o punk e o rcknrll são muito mordazes, sabe? As ideias são bem afiadas. 

As histórias das bandas são narradas em primeira pessoa, contadas pelos próprios personagens. Acredita que existe um “risco” aí? (* com o passar do tempo, algumas pessoas misturam o que aconteceu com a própria imaginação...)

O livro não é sobre a realidade. É sobre como cada um vê a realidade. Quando vários deles falam sobre os mesmos assuntos, o leitor pode analisar e compreender esse mistério: o que é a realidade? Eu me interesso pela forma como as pessoas viram o que aconteceu, como entendem o que fizeram, como entendem os motivos dos outros. Isso dá uma outra dimensão sobre a realidade. 

Além de “Mate-me, por favor”, qual outro livro você diria que inspirou RCKNRLL? E por falar em livros de rock, cite alguns dos seus autores e livros favoritos desse universo.

O “On The Road”, do Jack Kerouac, está em cada página do RCKNRLL — viajar pelo país, trocar ideias com gente louca e interessante que você mal conhece, viver experiências intensas na rua, com muita música, debatendo o sentido da vida ou a qualidade da última dose… 

O “Crônicas” do Bob Dylan é perfeito, a forma como somos arremessados para momentos bem pontuais, mas abrangentes, da vida dele;

E o “Mate-me, por favor” é o que as pessoas mais conhecem. O choque de pontos de vista é sempre um tesão, um velho e amado recurso da literatura. Sabe como uma contradição se sustenta? Com muita violência.   

Você comentou que já planeja o volume dois. O que pode adiantar sobre ele?

Posso dizer que já comecei, que um dos personagens acabou de morrer, que eu vou visitar o Pernambuco de novo, Goiânia e Porto Alegre algumas vezes, Paraty e Belo Horizonte com certeza. E claro que uma das bandas mais fodas de Brasília também fará parte do segundo volume.


Veja a matéria aqui:
http://issuu.com/revistaroteirobrasilia/docs/roteiro_bras__lia_247/26

por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
MICKEY JUNKIES E SECOND COME EM SÃO PAULO
15.01.2016




Mickey Junkies e Second Come se apresentam neste final de semana em São Paulo. As duas bandas são citadas no RCKNRLL, elas estavam lá na linha de frente nos anos 90 rodando por aí com seus shows barulhentos e diferentes, numa época bem diferente da atual, não havia internet, o indie rock era totalmente alienígena, as informações demoravam para circular, e embora as revistas e jornais ainda tivessem alguma importância, os zines impressos eram o verdadeiro mapa certeiro. Eles estavam fazendo um som que pouca gente conhecia. Depois de mais de vinte anos, quando você pensa no underground como um fenômeno social, percebe uma continuidade conectando aquelas experiências às que vivemos hoje, e fica muito interessante ver como essas bandas retornam aos palcos em 2016, depois de tudo o que passaram e dos anos afastados. O que os anos 90 podem dizer para nós agora? Vamos descobrir no domingo, no CCSP.





por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
ONDE VOCÊ ENCONTRA O RCKNRLL?
15.01.2016




Em Brasília:
Dom Pedro Discos:
412 norte, bloco C, loja 20

Em São Paulo:
Casa do Mancha
Rua Filipe de Alcaçova, s/n

Locomotiva Discos
Rua Barão de Itapetininga, 37, centro.
(11) 3257 5938, 3255 4963

No Rio de Janeiro:
scritório da Transfusão Noise Records
Rua da Constituição, praça Tiradentes, centro.


por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
BOWIE, OBRIGADO
11.01.2016




David Bowie é citado 12 vezes no livro RCKNRLL, desde a escolha do nome do PIN UPS, passando pelo interesse da DIVINE na forma como ele brincava com a sexualidade, do BIÔNICA a Helena Fagundes e do FIREFRIEND a Julia Grassetti falando sobre como ainda crianças ficaram obcecadas pelos seus discos e filmes, e por aí vai:

"Me atraía o David Bowie com aquela ideia de constante metamorfose. Aquela coisa que vem lá do ‘Diamond Dogs’: “isso aqui não é rock’n’roll, é genocídio”.
— Claudio Bull, DIVINE


por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
9000 KM ATRAVÉS DO BRASIL
08.01.2016




No próximo video, vou mostrar a primeira parte da tour de lançamento do livro RCKNRLL pelo Nordeste. O underground em Recife e Fortaleza e o Brasil primitivo, selvagem e arrebatador no interior do Piauí. Tudo começou em Brasília, passando por São Paulo e depois Rio de Janeiro e Vitória. Prepare-se!

por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
HELENA FAGUNDES EM LISBOA
08.01.2016




A Helena Fagundes, baterista do BIÔNICA, se apresenta amanhã em Portugal com a sua nova banda, CLEMENTINE.

Nas páginas do RCKNRLL você vai conhecer a trajetória da Helena pelo underground Brasileiro, as muitas bandas pelas quais ela passou e as aventuras com o BIÔNICA.

por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
NO CORREIO BRAZILIENSE
02.10.2015




Uma matéria no Correio convidando os leitores de Brasília a enviarem depoimentos para o livro. Nos anos 90, a cidade era o território por onde a Divine circulava.
por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
TRANSISTORS, QUE VIAGEM
15.08.2015




Se você já viu um show dessa banda, sabe do que estou falando. Ou não? Me escreva: yury@rcknrll.com.br
por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
SENTE A BRISA
12.08.2015




O Escritório da Transfusão Noise Records, da gangue do Lê Almeida, é mais do que o epicentro de um grande terremoto abalando a paisagem do RCKNRLL no Rio de Janeiro e no Brasil. É claro que vou contar esta história no livro.

por Yury



PROCURANDO CONFUSÃO
NAS PAREDES DO CAFFEINE
09.08.2015




Semana passada visitei o Luis Tissot no Caffeine, estúdio seminal em São Paulo onde vários discos sensacionais foram gravados, mixados e produzidos. O lugar é um pólo magnético atraindo as bandas de garagem de todo o país. O Marco Butcher, por exemplo, andou muito por ali. As paredes são cobertas por posters que detalham uma história bem legal.

por Yury



Se algum dia você quiser abrir a cabeça de alguém, use o RCKNRLL: ele pesa 700g

O QUE DIZEM POR AÍ:
"Já estou achando... que não posso morrer sem ter uma banda!"
Gabriella Avila

"Yury nos lança em um universo de conversas que só os poetas marginais podem ter. Tô aqui, aumentando o volume a cada página."
Osmi Osmar Santos Jr.

"RCKNRLL não é simplesmente um livro sobre bandas de rock... acho que é mais sobre quem viveu ou sobreviveu ao rock"
Claudio Cox

"A escolha das bandas, a relevância delas, as histórias todas, a forma como é contada... Puta registro brilhante, cara. Daquele tipo que nao tem por aí e que o underground precisa pra caralho. Bem acabado, sem deixar de ser visceral."
Jairo Macedo

"É um livro sobre ideias vs. determinação… talvez mais sobre determinacao do que ideias"
Raf F. Guimarães

"Muito foda!"
Adriano Cintra

"Um registro muito foda do underground. Meio estilo documentário, puta ideia."
Iládio Davanse

"Obrigatório! Quem não ler é um cuzão!"
Débora Cassolatto

" Eu agradeço por você compartilhar essas histórias, são demais"
Dom Orione

"Adorei! Você conseguiu tirar umas histórias fantásticas"
Fernando Sarti Ferreira


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Ao longo de 600 páginas você vai se aventurar com alguns dos tipos mais interessantes que conheço






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